Copa do mundo deve ajudar pouco as exportações.


Com menos dias úteis, que comprometem a produção, o torneio provocará atrasos em embarques e reduzirá as vendas externas em junho e julho.

Segundo o professor Paulo Pacheco, especialista em Comércio Exterior da faculdade Ibmec, o impacto da Copa sobre as vendas externas é temporário.

A tendência é que, depois da competição, ocorra um movimento de compensação, com embarques acima do normal no início do segundo semestre. “Como os exportadores estão amarrados por contratos, são obrigados a vender a mercadoria de qualquer maneira. Depois da Copa, as empresas vão correr atrás do prejuízo para suprir os clientes”, diz o professor.

De acordo com Pacheco, apenas se os portos brasileiros parassem durante a Copa, haveria prejuízo imediato.

“Não tenho informações de que nenhum porto vá parar em dias de jogos do Brasil. Talvez operem com escala reduzida, mas não podem parar porque uma paralisação significaria prejuízos para os navios e para os armazenadores, que pagariam mais taxas”, explica.

Por causa do número menor de dias úteis, o torneio fará a produção industrial cair neste e no próximo mês, reduzindo o excedente a ser exportado.

“Esse é um efeito indireto, que não tem como ser medido na balança comercial. De qualquer forma, menos produção significa menos PIB [Produto Interno Bruto] e, por consequência, menos excedente de bens no mercado”, alega Pacheco.

Mesmo com o estímulo aos negócios com empresas estrangeiras, o esforço do governo na Copa das Confederações representou pouco mais de 1% dos US$ 242,2 bilhões exportados pelo país em 2013.

“Se pegarmos o ano como um todo, não vejo como a Copa do Mundo possa ter grande impacto sobre as exportações. No máximo, os efeitos positivos, como a maior visibilidade do país, compensam os negativos, como a queda da produção industrial”, avalia Paulo Pacheco, do Ibmec.

Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, o impacto da Copa do Mundo sobre a balança comercial (diferença entre exportações e importações) é imprevisível.

“O país vai exportar menos por causa dos dias parados, mas também vai importar menos. Então, não dá para fazer nenhuma estimativa sobre o saldo comercial”, alega

 Fonte: Revista Exame

   

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